sábado, 29 de abril de 2017

Show me the Money #1 - Constrangimento de usar luxo!

Questão da: Noiva em Fuga 
"Não compro compulsivamente. Sou extremamente ponderada e racional nos luxos que faço. E, não tenho duvida de que trabalhei para os ter. Contudo, após a conquista, por vezes, acabo por ficar inibida de os usar. Fico com um irracional peso na consciência...
Quero uma coisa, luto para ter afincadamente, mas dps sinto-me mal por ter aquilo...

Como contornar isto?"


Noiva, a questão que estás a colocar tem duas faces: apesar de dizeres que não compras compulsivamente, claramente que compras por desejo e não por necessidade (senão usavas mesmo!!!). Não estou a criticar, antes pelo contrário. Eu também compro coisas por desejo e não há qualquer coisa de errado nisso. Toda a gente compra coisas por desejo. As crianças compram doces, os nossos namorados/maridos compram gadgests e smartphones que não precisam (ou pelo menos não tão caros!), e nós compramos os "luxos" que referes. 
Comprar luxo não é pecado!
O que não faz muito sentido é comprar luxos e depois não os usar!
O que leva à segunda parte da questão. Depois de distinguires entre Desejo e Necessidade (o que dizes que fazes), a compra está feita.
Não tens de te sentir culpada por o ter feito. Se tu achas que foste racional, e não compraste compulsivamente, só podes ter preconceito de ter dinheiro, ou de mostrar que o tens.
O preconceito de ter dinheiro ou do luxo muitas vezes é-nos incutido em pequenas: nos contos de fadas o homem rico é sempre avarento, a Cinderela pobrezinha é que é boazinha, a Branca de Neve foi expulsa do Palácio e foi viver com os anões que eram lenhadores e bonzinhos...enfim, a menina pobre é que casa sempre com o príncipe encantado.
Também na educação. Podes dizer: "Ah a minha mãe não me disse isso!...", pode ter dito ou não, mas de certeza que cresceste a ouvir "Pobrezinha mas honrada", ou "Dinheiro não traz felicidade", "Ninguém enriquece honestamente" ou "Isto é tudo para beneficiar os ricos e poderosos", ou ainda "Os ricos isto ou aquilo..." - referindo-se a algo que não somos. Nunca ouves "Os pobres isto ou aquilo..." como sendo os outros...Quem tem mais dinheiro é "novo rico"!
Há uma "vergonha" em admitir que se é rico...mais facilmente ouves alguém dizer que "A vida está má...", "É a crise"...nunca ouves alguém dizer: "Este ano a coisa correu-me bem! Fiz mais dinheiro que o ano passado"....
Isto marca: os ricos são os "mafiosos", os bandidos, os pouco honestos...
Essa vergonha está enraizada.
À tua pergunta "o que fazer para contrariar isto?" respondo-te: 
"Querida, beijinho no ombro!"....Sê tu mesma, magnífica, fantástica, que tem e merece tudo o que tem (e até mais)!
Primeiro, não é vergonha. Não roubaste, mereceste o que tens.
Segundo, gostas e podes comprar.
Terceiro, quiseste comprar.
Quarto, mereces mimar-te...por ti!
Mantra: Eu quero, eu posso, eu consigo!

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